AMOR DE CÃO
  Faz tempo, né?

 

Algumas coisas mudaram por aqui. Continuo com as crianças da padaria (lembra, Lílian?), e em busca de roupas e brinquedos e o que mais vier.

Neste final de semana distribuímos roupas, cestas básicas, brinquedos, cobertores e até ração para algumas famílias da comunidade de Tapiraí, 135 km de SP.

Foi muito bacana, é gratificante demais ver os pequenos abrindo os pacotes, os adultos com lágrimas nos olhos por terem o que comer, os cachorros doidões com ração (trouxe muitas pulgas para casa, mas valeu super a pena). Repetiremos a dose no final do ano, também em Tapiraí.

Antes, claro que tem mais!!! Em setembro rola a festa de Cosme e Damião, que é uma festa de dia das crianças antecipada, praticamente.

Vale brinquedo usado, sujo, boneca pelada, pq. a gente lava tudinho, arruma e ainda embrulha (rs).

Docinhos, pirulitos, balas, chocolates, tudo vale.

E, neste ano, temos uma atração a mais: uma barraquinha de maquiagem e enfeite para crianças. Há tempos queremos fazer um ‘fashion day’ para o povo da comunidade de Diadema, e dessa vez vai rolar.

Se alguém talentoso quiser ajudar na maquiagem e nos cabelos será ótimo, só tem o Abade. Confirmo, mas acho que a data é 26/09.

 

O Francisco andou convulsionando e foi internado quatro vezes. Eu o vi outro dia, plena hora do almoço, dormindo na calçada, quase em frente ao asilo onde almoça. Não deu para parar.

Semana passada ele estava chapadão, 9 da manhã. Pena. Anda com um carrinho do ferro-velho, mas pelo jeito está mais para lá do que pra cá.

A Cris montou um carrinho pra vender doces perto do metrô Praça da Árvore. O Toninho, filho dela, está cada dia mais bonitinho. Dá uma certa dor no coração ver o moleque crescendo na rua, mas ele é sorridente e feliz.

A Fabiana andou por São Bernardo, caminhando, claro, e agora deu uma parada no bairro. Mantém o mesmo ritmo, continua sorridente, sempre diz que já comeu e que não precisa de nada.

Dos outros, não sei.

 

 



Escrito por Regina Ramoska às 16h46
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  atualizando

O Francisco sumiu por uns tempos, disse que a barra andou pesada, gente usando droga. Agora voltou para o seu posto. Perguntou se eu tinha viajado para o Rio de Janeiro –ele sempre acha que vou para lá–, já que não nos víamos a tempo. Respondi que o procurei por diversas vezes, mas ele é que havia mudado.

Ele reclamou do olho. Teve úlcera de córnea, faz uns meses. Foi operado no Hospital São Paulo, mas nunca mais sarou. Usou um colírio por uns tempos, que foi roubado outro dia. O olho lacrimeja o tempo todo.

 

A Luzia, que trabalha em casa, conheceu um centro que ajuda na recuperação de moradores de rua. Só homens. Pra variar, falta tudo. Se vc tem em casa roupas, sapatos, camisetas (época eleitoral é uma maravilha pra isso) e quiser doar, fale com a gente.



Escrito por Regina Ramoska às 17h16
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  Natal

 

É mágico como uma coisa puxa a outra. Não esperava ter muito pra fazer o Natal das pessoas de rua. De repente, começaram a pintar doações de todos os lugares.

Domingo saímos para a distribuição com os Voluntários em Ação, e rolou a maior química entre a gente --tanto é que, ao final, já estávamos planejando as atividades do ano que vem. :)

Visitamos uma casa invadida perto da av. do Estado, onde a criançada fez a festa com o papai noel de motoca. Depois, Glicério e Móoca. Distribuímos mais de mil brinquedos, lanches, muitas roupas, material de higiene mas, principalmente, sorrisos.

As fotos estão aqui: http://spaces.msn.com/members/nataldebrinquedo/

A todos que nos ajudaram, nosso muito obrigada.

Sábado tem mais, festão na creche Sonho de Criança, com papai (e mamãe) noel, sacolinhas, brinquedos, doces.

Quer ir?

 

 

 

 



Escrito por Regina Ramoska às 13h51
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  Controvérsia

Não sei se essa lei existe, mas é uma faca de dois legumes, como diria Vicente Mateus.

Entre o pessoal que toma sopa no LAC tem algumas grávidas. Uma delas está de sete meses. É o terceiro filho, e ela disse que engravidou mesmo tomando injeção. O primeiro filho está com o padrinho. A segunda, com a avó. Agora ela namora um garçon e tem um barraquinho na Penha. Pretende criar o menino que tá chegando.

O namorado, aliás, não gosta que ela fique andando pelas ruas, 'porque agora ela tem um cantinho". Ainda assim, ela atravessou a cidade pra buscar um enxoval com o pessoal da sopa.



Escrito por Regina Ramoska às 17h37
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  De volta

Quase nem acreditei quando vi uma lona amarela cobrindo uma carroça, ontem à noite. Dei uma imensa volta, parei o carro e mandei em alto e bom som:

"Onde é que vcs estavam esse tempo todo?"

Em minutos André, Toninho e Cris apareceram. Perguntei se haviam tirado férias, eles riram e afirmaram. Foram até Ribeirão Pires 'desanuviar'. À beira da represa.

Assim justificaram as semanas todas que passaram longe.

O Toninho ganhou uma festa de um ano de vida na rua, domingo. Como eu não os via há tempos --e nem acreditava que eles voltariam, não fui.

A Cris está grávida novamente, e Toninho pediu para eu me informar sobre uma lei que dá uma espécie de bolsa para morador de rua que tem criança.



Escrito por Regina Ramoska às 17h35
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  Curiosidades

Morador de rua toma banho, sim senhor. Os meus chegados daqui do bairro, em um depósito de material de construção, onde também lavam a roupa. O Daniel fala muito de uma Dr. Rosângela, que às vezes empresta o banheiro de sua casa.

O bebezinho da Cris, aquela turma que sumiu, também contava com o carinho de uma senhora pra não tomar banho frio no inverno.

Já o André e sua turma tomavam banho em uma bica numa praça.

Tem um asilo para idosos aqui perto que oferece refeições para eles.  O André ganhava comida em restaurantes, mas não sempre, e em alguns dias eu e a Marô fizemos uma catança na geladeira pq. a coisa tava braba.

Sinto muita saudade do André, aliás. Já procurei, perguntei, mas ninguém sabe de nada...



Escrito por Regina Ramoska às 20h28
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  As crianças de Eldorado

Tem as crianças que moram em Eldorado, favela de Diadema, e que vão aos domingos, dia de feira, tentar ganhar um troco aqui na Saúde.

Eu vou tomar café na padaria e eles pediam pra tomar conta dos cachorros, que ficam amarrados do lado de fora. Eles me esperam um quarteirão antes, e vamos fazendo a maior farra até chegar lá. Dai eles tomam sorvete, comem, etc.

Ontem botei todos pra dentro comigo --isso em geral não acontece.

Depois do sorvete e dos sandubas, uma das meninas disse que ia comprar pão de queijo com o dinheiro dela. O cara da padaria disse que não vendia um real de pão de queijo.

Ela me contou isso lá fora. Entrei com ela pela mão e fiz o mesmo cara atendê-la e vender.

Fico pensando em como essas crianças já nascem discriminadas. E como elas se sentirão daqui uns anos, sem carinho, sem amor, sem abraços, sem comida --o que eles mais me pedem é pão com ovo.

Numa padaria que tem de tudo.

Mas o pior é um camarada que não deve ter muito mais do que elas fazer algo assim. Sendo que eles me dão saquinhos de pão de queijo quase todos os dias para eu dar para os meus cachorros.

 

 

 



Escrito por Regina Ramoska às 09h04
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  Arrumadinho

Francisco diz que vai voltar a ser garçon, e pra isso precisa de terno, sapato, gravata. E uma camisa branca. A Cláudia (VALEU!) patrocionou, e olha ai o resultado.

 

Francisco, Daniel, Sérgio e Geraldo



Escrito por Regina Ramoska às 11h44
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  E mais novos

Tem gente nova também com o Francisco e Daniel. O Geraldo, uma figura, e uma moça chamada Janaine, que por sinal fala quatro idiomas. Não tem mais quase nenhum dente.

Não consegui conversar com ela pq. o movimento na rua já estava começando, e eles tinham de tirar a carroça de campo. Amanhã vou lá.



Escrito por Regina Ramoska às 22h21
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  Os novos

Conheci alguns carroceiros que moram em uma casa invadida perto da Av. dos Bandeirantes. Foi bola cantada, uma pessoa que me pediu pra ir lá pq. tem bebê, e ela estava com pena.

Foi rápido, o tempo de nos apresentarmos e traçar um mapa mínimo do que acontece por lá. Eles têm vários cachorros, inclusive uma teve 6 filhotes ontem.

Por uma daquelas incríveis coincidências da vida, peguei uma doação na casa da Cláudia (ops, esqueci que ela não quer que conte, hehehe) e tem roupas de mulher, além de coberta e moletons. Isso vai permitir que eu volte lá amanhã com um kit. Valeu, Cacau!

A nenê tem 9 meses e se chama Jéssica. Linda.

Fico penalizada com essa criançada toda que eles põe no mundo. A mãe é super novinha.

Fui lá com a empregada de uma amiga minha e a filha dela, de 6 anos. Na volta ela queria saber se eles eram mulherzinhas, uma referência aos travestis que moram lá. A mãe se enrolou toda pra explicar, mas dei conta. O que uma criança de 6 anos precisa saber, ué. Diversidade.



Escrito por Regina Ramoska às 22h17
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  Sapato preto

O Francisco ficou radiante com os sapatos pretos. Disse que agora vai mudar de vida, que não quer mais puxar carroça, que vai fazer curso de maitre. Respondi que o primeiro passo é cortar a barba e o cabelo, e se amanhã a gente se encontrar e ele ainda estiver como o Papai Noel eu mesma vou levar uma tesoura e resolver a parada. :)))

Ele me pediu uma gravata e uma bandeja, 'pra ir treinando'. Amanhã vou levar.

Daniel ficou um tempão segurando a minha mão e disse que eu não o reconheci outro dia --um dos muitos em que passei de carro tarde da noite pela venida, preocupada com o sumiço deles. Não ia reconhecer mesmo, ele parecia um embrulho enrolado num monte de papelão.

Consegui doação de alguns brinquedos, mais roupas de adulto e de criança. Tenho esperanças que até o Natal a gente arrecade bastante coisa.



Escrito por Regina Ramoska às 23h14
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  Onde eles estão?

Há três dias que eu procuro o André e o Francisco, sem sucesso. Vou a pé, vou de carro, e nada. Já tentei de manhã cedo, e nada.

Parei para perguntar deles pro manobrista do bingo, que também não sabe de nada.

É uma sensação ruim, a de não saber se aconteceu alguma coisa. O André teve as tretas com o segurança do metrô, machucou o joelho...

O Francisco ia ganhar uma carroça nova semana passada. Parecia criança, estava na maior expectativa.

Não sei se ganhou. Não sei onde eles estão agora, com esse baita frio.

E eu é que me sinto abandonada.



Escrito por Regina Ramoska às 21h30
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  Natal de brinquedo

A idéia veio do Fernando, de Brasília, que começou a campanha por lá.

Por aqui, demos o abraço. Vamos fazer um Natal de Brinquedo, com alimentos, roupas e brinquedos para os moradores de rua e instituições.

Quer participar? Vai lá! www.passportnet.com.br/natalsp



Escrito por Regina Ramoska às 19h11
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  Discriminação

André e sua turma não estavam na rua hoje.

A generalização e os depoimentos -os envolvidos no incidente tinham passagem por roubo, 'assustavam os vizinhos' etc e tal- solta brasas para todos os lados.

Se já existe discriminação normalmente, quando a mídia solta informações como essa, o bicho pega.



Escrito por Regina Ramoska às 19h08
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  Versões

A versão da Globo é que a execução de sábado foi acerto por dívida de drogas.

Um outro morador de rua, que encontrei hoje, disse que foi mesmo. Mas que os executores são conhecidos. E manteve a história do Bahia, contada ontem.



Escrito por Regina Ramoska às 19h04
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